A palavra mantra, do sânscrito, deriva de man (mente) e tra (instrumento). O instrumento da mente é a palavra que é o elemento de expressão, ponte entre o homem e o mundo. Para os hindus, a palavra vai além da comunicação com o mundo e é o elo entre o homem e Deus. A palavra, nos diferencia dos animais. Por meio dela podemos transmitir idéias, educar, informar, divertir, persuadir, comunicar e rezar. O nosso pensamento se manifesta através da palavra. O Mantra está ligado ao poder dos sons, pois cada som emite uma vibração determinada, diferenciada e tem seus efeitos próprios. Os Mantras são instrumentos que permitem dominar, controlar e organizar a mente. Pode operar nos níveis físico, psicológica e mental. Não é somente o som que produz determinados fenômenos, mas também a energia mental corretamente direcionada.
A mente permanece fixa em padrões de comportamentos, hábitos, tipos de respostas automáticas, através dos sanskaras (as impressões da mente). Mas os vrittis (flutuações da mente e as impressões) podem ser removidos com a utilização da vocalização de Mantras. Se observarmos a mente, percebemos um fluxo ininterrupto de pensamentos e imagens. O mantra auxilia na limpeza mental, modificando os vrittis. O mantra constitui-se em um poderoso auxiliar, proporciona um apoio psicológico através das palavras e o pensamento vai adquirindo um novo ritmo para se adequar a padrões mais elevados, permitindo assim equacionar idéias superiores. A vibração do mantra eleva as energias do praticante e permite o aflorar da divindade interna. A repetição dos sons escolhidos limpa a mente e a interiozação do mantra nos liberta da roda do Samsara (nascimentos e mortes). Calma concentração e prática constante são os pontos importantes para se conseguir os efeitos desejados.
"A base da mente em seu aspecto objetivo e estrutural é o poder inerente às diversas combinações de sons." -Shiva Sútra 2.1
Para a filosofia oriental a mente é o instrumento do Atman (espírito puro). A mente é um órgão interno - jñanendrya e tem quatro funções: buddhi- capacidade discriminativa; manas- pensamentos; citta - memória; ahamkara - ego, sentimento do eu inferior. Portanto a mente é um órgão de seleção de armazenamento de dados e com a capacidade de criar uma unidade conscencial inferior ou o "eu" inferior ou ahamkara. Os pensamentos que sustentamos criam uma vibração específica e cada ser humando e emite um som determinado. Os diferentes estados mentais emitem vibrações que atraem ou repelem. O estado de oscilação de nossa mente pode ser traduzido como som e segundo os pensamentos que mantemos, nossas vibrações serão mais elevadas e harmônicas ou baixas e desagradáveis. Pensamentos e idéias são movimentos da mente. A mente em seu estado puro é imóvel, perfeita, luminosa, sem vrittis (flutuações da mente). Cada estado mental tem relação com um tipo de vibração. As vibrações específicas do mantra modificam a própria oscilação mental, dando origem a novos estados de consciência. Os filósofos indianos sustentam que o mantra é iluminador, porque a mente pode limpar-se por meio do som e atingir um novo estado de consciência que permite a percepção direta da verdade, sem necessidade da mediação do pensamento discursivo e racional. Mas somente através da prática disciplinada e de um treinamento sistemático que esse objetivo será alcançado.
A mente tem dois movimentos: o centrífugo e o centrípeto. O movimento centrífugo é a força que nos direciona para o mundo. É um movimento de exteriorização, caracterizado por um deslocamento da consciência para entrar em relação com objetos e pessoas. Pelos sentidos - jñanendrya, a mente entra em contato com o universo exterior e fica prisioneira desta relação. Direciona-se para o mundo, interessada em mana e rupa - nome e forma dos seres animados e inanimados. Permanece agitada com os dados dos sentidos, com as sensações que despertam essas relações. Parece que nunca poderá voltar a si mesma, não consegue interiorizar-se, pois estando ainda sozinho, o homem continua a pensar naquilo que viu ou escutou, aquilo que gosta ou desgosta.
O movimento centrípeto é a força que nos leva para dentro, para si mesmo, tal é o caminho da introspecção e interiorização. Quando se cansa do jogo ilusório (do mundo externo), o ser humano compreende que além desse jogo de nascer e morrer, de calor e frio, de prazer e dor, existe uma realidade fora do espaço e tempo. O Vedanta chama de Atman (o espírito), o Yoga chama de Púrusha, mas o importante é que existe algo que transcende a matéria e seu constante fluir de formas que nascem e morrem. Quando o homem volta os olhos para si mesmo, tem início uma grande aventura, a da autodescoberta, do reconhecimento da própria identidade, do Eu Divino, não como mero conceito, mas como percepção real, como vivência.
Fechar os olhos, isolar-se do mundo, permanecer em quietude física e mental, em silêncio interior e exterior são elementos que ajudam a interiorizar-nos. A repetição do mantra fixa a mente em um ponto. Os mantras despertam as energias adormecidas no homem e agem sobre os conteúdos mentais já existentes. Despertam e colocam em movimentos as forças internas, ativam os arquétipos e concentram o poder pessoal. Sua ação modifica o espaço interior do indivíduo. O mantra tem influência direta sobre este "espaço interior", despertando os elementos positivos e ativando-os, ao mesmo tempo que desativa os que se apresentam como obstáculos mentais.
Para que o mantra dê o resultado esperado, todas as potencialidades do homem devem estar em ação. É preciso empregar o conhecimento (estudano o significado do mantra), a imaginação, a atenção, a concentração , as emoções e evitar os pensamentos dispersos. A vida do praticante se abre quando pronuncia o mantra. Ele sintoniza com seu ser interno, sem necessidade de pensamento racional. O mantra age diretamente sobre os conteúdos inconscientes; é a mente subconsciente que trabalha através do mantra. É a intuição que se desperta. Por isto, nao adianta vocalizar somente com os lábios, mas precisa procunciá-lo com o coração. O mantra deve ser repetido nos níveis físico, emocional e mental ao mesmo tempo.
Fonte: O poder do Som - Mantra Yoga, Padma Patra - Ed. Ibrasa
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