Lakshmi, esposa de Vishnu, contribui com a preservação dos três mundos - Bhur-Terra, Bhuva-Céu, Svaha-o espaço, proporcionando abundancia e riquezas de natureza material e espiritual. É considerada como deusa do amor, da beleza e da prosperidade, sendo também conhecida como a deusa Shri, termo no qual são inseridos os conceitos de beleza, santidade, felicidade, majestade e amor. Um dos principais símbolos associados a essa deusa é a Svastika, representando a prosperidade, o sucesso em todos os empreendimentos e a manifestação cósmica em perpetua regeneração.
Lakshmi não figura na tradição inicial dos Vedas. Entre os hinos do Rig Veda, não existe nenhum que seja dedicado a ela. A primeira obra literária que lhe assinala existência é um hino tardio ou suplemento, anexado aos Vedas. Nesse hino, ela é associada ao símbolo da flor de lótus e recebe os seguintes epítetos: Padmasambhava, a nascida do Lótus; Padmesthita, a que está de pé sobre o Lótus, Padmavarna, a que tem a cor de Lótus, Padma-uru, a das coxas de Lótus; Padmaksi, a de olhos de Lótus.
É também vista por algumas comunidades campesinas como a deusa responsável pela boa produtividade no cultivo do arroz. Por causa desse papel, ela é conhecida como Karisini, aquela que tem a posse do esterco. É mãe de Kardana (o lodo) e Ciklita (a umidade), elementos essenciais na produção de arroz. Chamam-na, também, de Chanchala, a inconstante, Jaladhija, a nascida do mar de leite, e Lokamata, a mãe do mundo.
No Padma Purana, encontramos hinos a Lakshmi, nos quais, dentro de uma atmosfera matriarcal (Tantra), a companheira de Vishnu é elevada ao mais alto grau. É reconhecida como a Rainha do Universo - Parameshi, mas também como Mãe de todas as coisas criadas - Jaganmata, Energia Primordial - Ady Shakti e a magia - Maya, pela qual se manifesta o mundo.
Fonte: Zimmer H.- Mitos e Símbolos na arte e Civilização da Índia
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